Agora Beatriz.
Nascida de 3 meses, podemos dizer que sua fecundação se deu na madrugada inusitada de 5 para 6 de abril. A figura, aqui vista como materna trupicava guias e soluçava um vinho barato. Sem capacidade de memória e com uma sinceridade indevida, enlaçou o culpado pelo nascimento e ali na esquina iniciou o processo dessa gestação complicada e bem vinda.
Pedro Ênio Anafogo, o tal que cantou com rosto encostado na barriga /outra/ sendo assim o principal responsável pelo nascimento a fórceps. Pedro desliga o carro.
(-Hei??? Pedro é o pássaro?) –disse Ana Clara se levantando da cadeira como se tivesse sido desrespeitada-
A tal mãe vai embora, mas não consegue e toda torta volta. Evitarei ao máximo! Tentarei ao máximo! Palavras ditas pelos ridículos culpados, como o refrão de um bolero.
Explico melhor para quem lê: Aquele não foi o último encontro da moça e do pássaro.
(-Hei!!!)-descrente de tamanho afrontamento-
A moça-mãe e o pássaro-Pedro se encontraram e ficou escrito no diário:
“E o corpo que não carregava mais aquela alma, pairou em um sinestésico deleite. O sonho que hoje foi pó.
Perdeu o sentido no momento em que percebeu que se não sentisse seria mais fácil, mais divertido. A lágrima que cai, agora é de lamentação...Um descontentamento visceral pela morte do tão belo.
Como entender o homem? Nunca satisfeito, sempre borrando a pintura renascentista...(perfeita!). Transformando a vida em um quadro abstrato e poluído. O passado chegou tão rápido! Talvez tenha se precipitado? Não...não! sabias o que dizias. É que a sentença veio desde o parto. No cordão umbilical...
Pode ser que só buscava um ator para o papel principal, que soubesse desembainhar uma espada. Mas é difícil mesmo!!!”
Fica entendido que quando pensava ter acabado as horas, sobrava ar. E que quando sobraram horas, o fôlego já havia se esgotado.
O triste fim desse romance intrínseco se dá aos poucos. Como um veneno que, dolorosamente paralisa cada parte do corpo. Tornando frio o que antes ardia. E fazendo repugnante, tão confortável labirinto.
Beatriz nasce de um processo de amadurecimento e quarta-feira de cinzas.
(-Acabou a farra!)- Beatriz com a ultima pá enterra/ em terra Ana Clara, dá um giro em torno de si, e cava mais um pouco com as mãos, desenterrando. Puxa os cabelos e torna a enterrar. Com as mãos cheias de terra, e água caindo dos olhos, apaga as velas e tira a agulha da vitrola, silenciando o voluptuoso tango.
Ficou um ciclame sobre o túmulo.
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