Um segundo ato, digamos assim!
Pego emprestado um nome para a moça. A chamarei de Ana Clara!
-nesse momento Ana Clara sai de trás da cortina (que mal cobria os seus pés) com um grande descontentamento-
Ana Clara avista a mulher do colar de pérolas. Ela joga um olhar lento e seguro, olhar de quem é de fogo ( isso é o que pensa). Com o queixo erguido continua a descamar um peixe. (a mulher estava bem arrumada, penteado de casamento. por cima da roupa elegante um avental comprido e branco).
Ana Clara ali toda água, perdida! Não sabia o que fazia, não sabia os porques.
Olha e vê um reflexo, não é a mesma imagem, mas o mesmo motivo...O sentimento é um. As imagens são duas.
Ana Clara, agora sentada no chão, bate com as mãos bem espalmadas em toda sua cabeça; nuca, nariz, queixo. Bate e diz ao mesmo tempo: Sou um lixo!
Tudo vorazmente.
Havia feito o que não se fazia a ninguem...
Deita o corpo em uma banheira cheia de água fria, ainda vestida. Fica um tempo submersa, até não aguentar mais. Começa a se despir, deitada na banheira, e com uma esponja esfrega cada milimetro do seu corpo, cada pêlo, cada poro. Mas não adianta, estava impregnada com aquele sorriso ardido em desejo.
A mulher, com as mãos ensanguentadas erguidas na frente do corpo, e um buraco na testa que jorra sangue, passa pelo corredor e para em frenta a porta da banheira. Pergunta: " O que fará agora, Ana, que arrancaste os meus dentes??? Deixou o meu rosto impossibilitado de um semblante realizado! O que fará?"
Ana Clara veste o corpo de cravos brancos. Brancos pela anulação do desejo infindável. Brancos pela pureza de ter feito tanto mal, querendo tanto bem.
O cheiro de velório empesteia o local.
Nota do autor: (rsrs) para entender melhor leia o 12º andar e meio- O conto do pássaro
Um comentário:
Achei se blog numa comunidade do orkut ! :D
Nossa que lindo o que você escreve! Parabéns !
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