Continuava a ver cores fortes e vivas, já não tão alegres. Poéticas. A dor trazia sua poesia, aprendeu isso com sua primeira, ou segunda queda.
Dores colunares, sentia sempre que olhava por muito tempo para cima.
Acreditava no poder da sua mente, desde criança. E quando deixou de ser?
Suas unhas vermelhas, certa vez, descascaram por tentar arrancar a tinta da parede pra ver o que haviam escrito. "Eu quero que esse canto torto. Feito faca corte a carne de vocês".
(-Minhas frases dizem mais, atente-se!)
Os olhos vermelhos saltam por vezes... Por outras não! Se encolhem de felicidade e até choram, tamanha alegria de se estar em dois. Aí, já se vão 20 anos.
As girafas têm o pescoço grande, pois, se alimentavam do que estava no alto. As que não alcançavam foram morrendo, deixando a espécie unânime, com pescoços esticados. Essa teoria sempre bateu em sua mente como um gongo. E assim é a vida, dizia.
(-E se a mamãe ficar triste? Não fica, mamãe! Só com você sei que não estou só! Meu abraço confortante, meu ventre.)
Sempre achou engraçado o fato, de que, se disser algo baixinho no ouvido de uma criança pedindo para ela repetir, ela repetirá baixinho, como ouviu anteriormente.
1,2,3. Acorda Carolina! Escola, trabalho e nada mais. Por um tempo o "nada mais" prevaleceu, a vontade e o vício do ócio! Que difícil era acordar cedo.
(-Pai você é um guerreiro, um apaixonado! Meu exemplo.)
A história dessa menina é narrada com flores e espinhos.
O mar fala em silêncio, como seu olhar... As ondas ora acalmam, ora afogam. A água é seu elemento, refrigera e revolta, e se molda ao corpo em que está, pois, ela por si não tem forma materializada.
Mania que tinha de escrever do seu jeito o que os outros escreviam. Ou então, encaixar frases de outros nas suas. Achava bonito e assim a conexão dos seres na terra, pensamentos que se conectam, pensamentos que a completa.
Carolina, cabelo moreno e olhos de jabuticaba. Lábios vermelhos, vermelho sangue, sangue de feridas que trazia em lembranças. Mas não visível. Visivelmente seus lábios eram pálidos, como de alguém que já não respira. Suas mãos quentes ou frias, isso dependia da temperatura ambiente. (Sonhava, e muito!). Poucos seios, o que deixava seu peito mais próximo do outro que abraça ou se aproxima, seu coração mais descoberto, diferente do seu ímpar. Sua pele uma cor mutante, conseguia ser branca pálida e morena jambo.
Carregava a responsabilidade de sua vida. Seus atos, pensados ou não, construíam com células e veias o seu corpo.
Tinha um fascínio por cicatrizes, a tatuagem da vida. A demonstração de uma superação, de uma experiência.
(-Cicatrizes são únicas, cada um tem a sua, e só. Só cada um, é que sabe o que aquela cicatriz o fez sentir.)
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